segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Aventura no IKEA

Numa das tardes em que fui à feirinha ver se arranjava alguma coisa para o meu quarto ficar mais bonito, surgiu a oportunidade de ir de autocarro com uns portugueses ao IKEA. Já combinámos ir tarde, como bons portugueses que somos, só saímos 1 hora depois do combinado. Apanhámos um autocarro que demorou no mínimo 40 minutos. Fomos levados para a montanha, longe de qualquer coisa que parecesse Bologna.

Ficámos com a ideia que o último autocarro era as 21h.

Fizemos as compras. Muitas. Éramos 4 e estávamos realmente carregados. Andámos bastante até à paragem.

E voilà: não havia mais autocarros para sair daquela terra.

Pensámos o que fazer, telefonámos, avaliámos hipóteses. Sem nunca esquecer que estamos em Erasmus e em Erasmus não se pode gastar dinheiro excessivo. Ou seja: táxi estava fora de questão.



Solução:

Andar a pé 3km e tal, carregados, em plena estrada nacional , até à terra mais próxima, onde apanhariamos um autocarro até o centro de Bologna!



Optámos por nos apoiar nuns carrinhos, enquanto havia passeio e pouca probabilidade de encontrar polícia.



Pelo caminho, ainda recolhemos mais um colchão do lixo, para complicar ainda mais a caminhada.

Apanhámos o autocarro, depois de mais de uma hora a andar, já passava das 22h.



Mas chegámos vivos.

P.S.: A personagem principal destas fotos calhou ser o Luís, por nenhuma razão em especial, ainda que tenha sido o que trouxe mais coisas, o que partiu logo 5 pratos antes até de saber que não tínhamos autocarro e o que nos deu mais energia para continuar a looonga caminhada.

Não consigo pôr vídeos: Aventura no IKEA

As minhas meninas



As minhas meninas vieram cá passar uns dias e celebrar os anos da Teresa. Chegaram e arrasaram ! Falaram logo com toda a gente, andaram às cavalitas, travaram amizade com os DJ's e com mais meio mundo, safaram-se no seu italiano, fartaram-se de passear, de ir à net, de serem elas de sempre.

Gostei de tê-las cá.

Ainda que não tenha passado assim tanto tempo com elas, porque ainda estou num período de transição, de caos, de reorganização final.

Mas gostei mesmo que se dessem bem com os meus amigos, que fizessem outros, que se rissem e tirassem imensas fotos, que gostassem das pessoas lá de casa, que tenham cozinhado, limpo, ajudado.

Gostei mesmo!

Para a próxima serei melhor, prometo.



Já.

Aqui estou eu de novo!

Muitos dias sem net, muitos dias a andar de um lado para o outro !

Muita coisa mudou: já comi peixe, já tenho gás no fogão, água quente para tomar banho, um quarto e meio acolhedor (as minhas maravilhosas 7 paredes), já tive visitas, aventuras no Ikea, uma estante, um armário, todos os meus co-inquilinos, já falo mais italiano, já me tenho deitado mais cedo e tido noites mais calmas, já tive frio, já apanhei chuva.



O peixe e a salada Caprese com o melhor aspecto de sempre


As pessoas :P

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Não tenho posto fotos, porque não as tenho tirado, porque anda tudo uma grande confusão ainda. Depois ponho com mais calma.

Ciao:)

O caos

Erasmus é um caos.

Não ter chave de casa durante dias e dias (copiei-as finalmente agora!), não ter cama durante dias e dias (tenho uma cama vinda de África agora), não ter net em casa (tenho na biblioteca e teoricamente esta semana em casa), não ter gás (é amanhã, é sempre amanhã há uma semana), não ter roupeiro, não ter mesa (é amanhã que vamos ao Ikea, é amanhã).

Enfim, já não espero nada.

Entretanto já foram lá para casa os outros colegas co-inquilinos. É, portanto, o Pier Luca, de 28 anos, estuda Engenharia (já não sei qual), joga futebol há anos, é simpático. Depois, há o Andrea, 29 anos, estuda música, fuma as suas coisas, levou um piano lá para casa, tem um sotaque à Bellini (segundo consta, porque eu não me apercebo) o que faz com que mal o entenda, é simpático também. Por fim, temos a Giada, 20 anos, estuda Desenvolvimento e Cooperação Internacional, é mesmo querida.

No início não gostei nada dela. Odiei. Achei que era mesmo bitchy.

Entretanto, dei-lhe outra oportunidade e revelou-se um amorzinho de pessoa. Mesmo ! Passei horas e horas a conversar com ela. E mais importante: conversámos em italiano!! Provou-me que sou bem capaz:)

Em casa só falo italiano e já noto muita diferença:)

sábado, 13 de setembro de 2008

Semi-rotinas

Aqui passamos a vida a ir jantar uns a casa dos outros. É giro.

E são giras também as tardes no Giardino, as noites na Piazza. O Giardino é a 3 minutos de minha casa (contei ontem), é maravilhoso. E o supermercado barato é a 5 minutos de autocarro, mais os 15 de espera para cada lado.

Como tenho estado sozinha em casa, já a sinto minha. Só tem a minha comida, fui eu que lavei o frigorífico, a loiça, os armários. Comprei sabonete, já criei o hábito de deixar a chave na porta. Sei onde são os interruptores e fecho as janelas antes de sair, porque pode chover a qualquer momento.

Como ontem, que depois de um jantar calmo, fomos para a Piazza só um bocadinho porque estavamos todos mortos - pelos vistos a minha noite calma de limpezas no dia anterior, foi a mais exaustiva para o resto das pessoas, e termos aulas de italiano todos os dias às 9h da manhã mata qualquer um. Todos de tshirt, começa a chover imenso ! Fugimos para os pórticos e esperámos a chuva parar.

Ah, entretanto o André brasileiro que ia embora para a Roménia fazer voluntariado durante uns meses, não conseguiu ir, porque não é europeu. Vai ficar cá ! :)

A casa

Não tenho net em casa.

Aliás, não tenho nada em casa.

Cheguei de malas e bagagens à casa. Estava toda suja, ainda com restos de obras, sem mobílias. O Pier perguntou se eu queria ficar já lá a dormir nessa noite. Pois claro que sim! Eram 19h. Ficámos os dois a limpar a casa até as 22h, que foi quando chegou um amigo dele com um colchão para mim e decidimos comer uma pizza os dois.

Senti-me, por momentos, confusa. Estar sozinha numa casa com uma pessoa que não conheço, que insiste em falar italiano - ainda bem! é mesmo para eu treinar! -, embora fujamos para o inglês quando é preciso (italiano é bem mais complicado do que parece), ver-me numa casa vazia, imaginar-me sentada à mesa com esta pessoa e ter de conversar assusta um bocado.

Mas correu tudo bem. Ele é muito simpático e passámos um bom bocado. Com estas limpezas, não fui a um jantar que tinha, mas não fez mal.

Na verdade, foi uma noite de maior descanso, já que quando fui ter com as pessoas à rua não tinha andamento para aquela energia toda e deitei-me cedo (visto que o cedo eram 2 e meia da manhã).

O caos matinal das 4 paredes do meu quarto (as outras 3 ainda estão vazias) Não ter armários dá nisto, mas fica sempre depois tudo arrumadinho:


quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Aleatório

Acordar com sono. 1ª aula de italiano: uma turma quase só de meninas, com excepção de dois rapazes. É demasiado fácil, embora haja pormenores que desconhecia. Mas custa acordar cedo. Aula às 9h não é fácil, especialmente quando há tanto para fazer durante o dia e a noite. Mas tem de ser. Quero aprender bem italiano.

Sesta. Preguiça. Farta de estar na incógnita, liguei para o dono do apartamento. Ficou de me ligar às 18h a dizer como era afinal.

Ligou.

Tinha um quarto individual. Só um. Foi uma boa notícia, mas não dei pulos de alegria. Apenas um significa que uma das Martas permaneceria sem tecto. Foi-nos impossível decidir a posição de cada uma.

Recorremos à sorte, ao aleatório. Escrevemos os nossos nomes num papel, o Andrea tirou.

Saiu o meu nome.

Já tenho um quarto.

Com direito a 7 paredes !

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Festa

Havia festa. Sem motivo em especial, mas havia festa em casa da Valentina, da Lucie, da Iolanda (não sei como se escreve). Embora não tenha sido convidada por elas mesmas, aqui é sempre "vem e traz um amigo também". E assim fui. Eu e nós todos, numa cozinha, numa varanda.

Insisti, tentei, esforcei-me para falar italiano. Mas é uma frustração. Demorei uns 5 minutos para dizer "Daqui da casa já conhecia a Lucie. Um dia fui almoçar a casa dos brasileiros, ela estava lá e fez um doce de pêra". O que vale é que a linguagem gestual é universal e que a boa vontade é mais que muita, também.

Fomos ficando, ficando até ao fim. Fomos os últimos a sair. Levámos o lixo e ficámos na rua. Eu devia ir dormir, porque tinha a primeira aula de italiano hoje às 9h e já nos encaminhávamos para as 4h da manhã em animada conversa.

Mas fiquei. Mais um bocado. Como os 5 ou 6 resistentes. Vale sempre a pena. E lá fui dormir.


Martinha, André, eu


Sara, Valentina, Martinha, Lucie, eu

Reviravolta

Como nunca nada pode correr bem à primeira, tiveram de surgir mais pequenas complicações com a nossa casa-maravilha. Desta vez era a senhoria que dizia que não queria 6 pessoas em casa (se ela não vive lá, o que é que a preocupa?), que era o que seríamos: 2 quartos individuais e 2 duplos. Ele disse que ia tentar arranjar uma solução. No entanto, o mundo caiu-nos aos pés.

Fomos comer um gelado para afogar as mágoas e ficámos a descansar na Piazza Nettuno à espera dos nossos amigos brasileiros, André e Flávio, que nos iam levar numa tour.


Martinha, eu, Nuno


O desespero acalmou, acendemos duas velinhas, ficámos novamente bem-dispostas. Os nossos amigos lá apareceram, incrivelmente no horário italiano e não no brasileiro, como seria de esperar, e pusemo-nos a passear.

Fomos à Igreja de S. Domenico e a outros lugares. Conversámos. São tão boa companhia! O pior é que se vão embora amanhã.

Eu

Flávio, André

Entretanto, fomos ver um quarto perto da Piazza Maggiore, uma possível alternativa, que me surpreendeu mais do que estava à espera. Vimos rápido e voltámos para perto deles outra vez. Decidimos subir às famosas Due Torri (só dá para subir a uma).

498 degraus. As pseudo-vertigens do André. Pés pequeninos. Aquela é a rua onde moro. Aquela é a Zamboni. Ali é a colina. Mais conversa, mais boa-disposição. Planos para mais tarde. Não queremos ir embora, mas já é tarde e os rapazes iam jogar à bola no Giardino: portugueses contra brasileiros.

Eu, André, Flávio




Vista do topo da Torre

Lá fomos e mais uma bela noite de jardim se proporcionou, apesar dos atrasos impensáveis, do frio que ameaça chegar, dos mosquitos a picar. Temos fome, vamos comer uma pizza.


Leandro, Tiago