quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Corto Maltese

E como o dia estava a ser tão bom - sim, ainda é o mesmo dia! -, a noite tinha de correr bem, também. Fomos a um bar, o Corto Maltese, onde havia uma festa Erasmus. O bar era mau, a música péssima, o calor imenso. Mas estavam lá as pessoas certas, as de sempre e outras que vão surgindo todos os dias, a toda a hora. Sentar no passeio da rua em frente, por debaixo dos pórticos faz todo o sentido. Todo.

A noite já acabou tarde, mas deu para partilhar muito. Para falar diversas línguas, reencontrar pessoas e até sentir grupos diferentes a juntar-se. Os portugueses, embora independentes, mantêm um grupo coeso, que é importante. Os brasileiros multiplicam-se e com eles multiplica-se a boa disposição. E os sotaques. Eu falo português do Brasil. Acordo com o sotaque na cabeça. É uma presença, uma tão boa presença.

Ficam as fotos. São mais que suficientes.


Nuno, eu


Martinha, Flávio, eu, André

de cima para baixo: Daphne, Nuno, Nuno, Pedro, Sofia, Martinha

Martinha, eu, Nuno, Lígia, Nuno

Giardino Margherita


Leandro, Pedro, André


Foi mais uma tarde de Giardino Margherita e de umas horas num ambiente fantástico, acompanhado de guitarra, bossanova, Jack Johnson e outros clássicos cantados a várias vozes. A tarde foi-se pondo, já se sentia o fresquinho do fim de tarde, a noite caiu. Ficámos. E fomos ficando.

Como óptimo dia que estava a ser, recebi um telefonema do dono da casa que nós queriamos mesmo. Para além de ficarmos as Martas juntas, viveriamos com italianos, que eu quero muito. Ora, o Pier Luca ligar para mim, quando foram pelo menos 20 raparigas ver a casa, foi mesmo bom sinal. Como não conseguia comunicar bem com ele, o André (brasileiro que vive cá), fez o favor de ser porta-voz. Enquanto esperavamos pela resposta, juntámo-nos numa busca de energia positiva.

Começaram a surgir os problemazinhos insignificantes: um dos quartos não tinha uma das paredes, o dono disse que dava para por uma parede de gesso. Telefonou a dizer que a senhoria não deixava construir. Não fazia mal, nós arranjamos solução com um biombo, qualquer coisa.

Por ele tudo bem. Ficou de falar com não sei quem. Ficámos de ligar no dia seguinte à hora de almoço.


ponteiros do relógio (ou esq-dir): eu, Lídia, Nuno, Tiago, Daphne, Pedro, Martinha

Dia 8/10 - "Hoje é o dia!"


Andrea, Martinha, eu

O dia começou diferente. Estava muito mais bem-disposta, iamos ver uma casa de manhã cedo, fartei-me de cantar o tempo todo. Sentia que iamos acertar desta vez, que ia correr bem esta odisseia interminável em busca de um tecto. A caminho da casa saltitei, ri. Estávamos com o espírito certo!

A porta era a 74. 7+4=11 1+1=2 2: O nosso número preferido. O prédio tinha as portadas típicas. Era numa rua perto do centro, bem frequentada. Tinha uma fechadura enorme e giríssima, lugar para pôr a bicicleta dentro do prédio. A casa era no último andar, com 3 fechaduras diferentes. Tinha acabado de ser arrendada, ainda estava em obras. Entrámos nós e mais 2 raparigas. Mas nós somos mais queridas, mais sorridentes, mais simpáticas, mais comunicativas. E diferentes, porque não somos de cá. Havia 2 quartos livres, mais um duplo. Era perfeito, tudo era perfeito.

O dia corria bem. Já não estava nublado como no típico domingo, e não estava um calor insuportável como nos dias antes. Tudo corria bem.

Em dois dias saberiamos alguma coisa.


Nuno, Nuno, eu

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

A curiosidade matou o gato

Existem certas curiosidades na Piazza Maggiore e na Piazza Nettuno. Queria descrever aqui, mas só terá graça mostrar quando me vierem visitar.

São essas pequenas coisas da cidade que me apaixonam.

Entenderão:)

Piazza Nettuno

Voltone del Podestà

Entretanto fique-se a saber que vi os Carabinieri em acção nas duas noites seguidas. Aliás, três, já que foram lá à nossa festa mandar acabá-la. Mas ontem, eram 4h da manhã, vi o carro da polícia aparecer numa Piazza perto de casa, quando voltávamos e, sem sairem do carro, falaram pelo altifalante "Vá, meninos, já são 4h, saiam lá daqui. As pessoas já dormem. Vá, vá lá...", sempre a tentar apelar ao bom-senso, mas sem qualquer tipo de esforço. Hoje, pouco depois de uma sessão de porrada no meio da Piazza mesmo ao nosso lado, apareceram dois carros da polícia e, mais uma vez sem sairem do seu banco confortável, apenas abriram as portas, gesticularam um pouco e foram-se embora. Sem fazerem nada. Viva a eficiência !

swings de humor

Os meus dias dividem-se entre o desespero matinal e a calma e aproveitamento do resto do dia. Acordo e passo logo umas 2 horas a ver anúncios de casas na net, telefono para umas 10, marco umas visitas quando dá, quando vale a pena. Vou à rua procurar mais anúncios e fico deprimida juntamente com a Martinha. A frustração é enorme, o desespero, a impotência de não sabermos que mais fazer para conseguir uma casa.

Depois, a partir das 4h da tarde, por aí, já não há nada a fazer para resolver a situação e vamos ter com pessoas. Aí estou bem, é sempre bom conversar. Hoje fomos ao Giardino Margherita, que é um parque enorme, com imensa relva, campos de basketball e volley, imensa gente a jogar à bola, insufláveis, escorregas e imensos grupinhos de pessoas. Estivemos os portugueses e os brasileiros até anoitecer.

Como os cá de casa iam ter um jantar com uns amigos fora de casa e como não queriam que nós as duas fossemos jantar sozinhas a algum lado, fomos convidadas para jantar na casa dos outros portugueses, que nos alimentaram bem. Ficámos a conversar na varanda mais um pouco e viemos para o centro, onde acabámos a noite na Piazza com uma boa conversa.


A Daphne e o Tiago a cozinharem


O Nuno, a Martinha e o Pedro


A Daphne de novo e o Pedro Rebelo



Encontrámo-nos com os cá de casa. O Andrea esteve a dar-me palavras de apoio e de confiança para a busca ao nosso respectivo lar. Diz que vamos conseguir mesmo e que não gosta de nos ver deprimidas pela manhã. Foi mesmo querido e tem sido realmente prestável.

E lá está: tenho esperança que seja amanhã que arranjaremos o nosso quarto:)

domingo, 7 de setembro de 2008

noite na Piazza S. Stefano

Combinámos com os brasileiros ir ao aperitivo juntos, passámos a noite uns com os outros, foi-se juntando mais e mais gente e acabámos todos sentados no chão da Piazza S. Stefano, em rodinha a conversar. As línguas saltam entre português e italiano e o mais comparável é o português do Brasil e o nosso. Horas e horas que se passam a comparar expressões, a rir, a imitar... Falo mais "brasileiro" que português, agora.

Mas é um ambiente fantástico, todos juntos, gente a chegar, mais imensos grupos de pessoas à volta a conversar, uns tocam guitarra, outros fazem malabarismo. Os grupos misturam-se, os cá de casa aparecem, misturam-se os portugueses, misturam-se italianos, franceses, os amigos deste e os amigos daquele. Até um italiano com quem tinha falado pouco uns dias atrás me mandou mensagem a saber onde estava e também ele se juntou a nós, e é das pessoas com mais graça conversar, porque na mesma frase falo inglês, italiano e português, e ele ainda passa pelo espanhol. Toda a gente fala com toda a gente. Salto de pessoa em pessoa.

Eu só gostava era de já saber falar italiano, porque é uma enorme barreira.


Quanto a casas, o desespero continua e cada vez mais ampliado. Tinha uma casa que tinha gostado muito, queria mesmo ficar lá, tretas e confusões e não deu. É um sufoco. Mas amanhã é mais um dia para ver anúncios e visitar quartos.


O André brasileiro que me ensinou que se vir o mapa de pernas para o ar nunca mais me perco

O italiano Jojo que mandou mensagem

almoço abrasileirado

Como tinha ficado combinado ontem, hoje fomos almoçar a casa de uns brasileiros, a especial convite do André que disse que ia cozinhar para nós. Mais uma vez, mesmo à português, só chegámos a casa dele lá para as 3h da tarde, até porque houve falha de comunicação e não conseguiamos encontrar o ponto de encontro.

Sempre muito bem-vindas, hospitalidade incomparável, cozinhou uma massa com um molho de pimento, falámos todos, muitos brasileiros, uma francesa, uma italiana. Ouvimos música, mas o cansaço era muito - é impossível dormir à noite, porque o calor está insuportável mesmo! -, e fomos para a sala enorme comer o doce maravilhoso de pêra que a francesa fez, para o sofá super confortável, onde a corrente de ar sempre melhorava um bocadinho. Ainda assim, nunca transpirei tantas horas seguidas na minha vida !


Lucie e o doce de pêra


André, Samuel, Martinha
Combinámos ir visitar um Giardino, mas enquanto esperávamos que uma falasse com a mãe ao telefone, acabámos por adormecer todos, uns no sofá, outros no chão, no meio da corrente de ar que, mesmo assim, não refrescava nem um décimo do desejável, e o Giardino ficou para outro dia.

Acordámos, combinámos encontrarmo-nos dentro de 2 ou 3 horas e viemos para casa.

Jantar de anos português

No outro dia tivemos o jantar de anos do Nuno, um português. É estranho ir jantar a casa de pessoas com quem partilhei pouco mais de 10 minutos de conversa, mas o engraçado é que vale sempre muito a pena. Como bons portugueses que somos, estando o jantar marcado para as 20h/20.30, chegámos só as 21.30 e fomos os primeiros !


Nuno, Martinha, Miccel, Sofia

Ao fim de uns tempos, já com todos em casa, conversa puxa
conversa, todos meio engalfanhados na pequena varanda da cozinha onde se sentia um pouco, quase nada, de brisa. O calor continua insuportável. Constatamos amigos comuns, rimos, contamos histórias, palhaçada. Escrevemos os nossos nomes em papéis, andamos com eles presos ao peito, falamos português apenas e partilhamos as primeiras impressões.


Passamos então para o outro lado da casa, o quarto das meninas, onde a varanda é enorme. Partilha-se mais, converso mais com uma pessoa de cada vez, confidências, histórias pessoais.



Chega a polícia. Eram 6 senhores fardados. Temos de acabar com a festa. Não entendo, já que não se ouvia música e estava tudo calminho. Mas somos obedientes e vamos embora. Passamos pelo Lidl, fazemos corridas dentro dos carrinhos do supermercado e seguimos para o centro da cidade.

Muita conversa. Muita partilha. Convém não nos fecharmos nos portugueses, mas não significa que não nos demos. Viagens. Desamores. Extraterrestres. Sonhos. Ambições. Confissões sem máscaras.

Sabe bem darmo-nos assim, sem redes.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

A 1ª noite Erasmus


A Martinha já está connosco de vez, mais uma pessoa nesta casa cheia de gente, o que lhe dá mesmo imensa vida. Vou ter pena de sair daqui, mas será por já ter uma casa, pela qual anseio muito. É que é uma chatice ter as coisas nas malas e não ter mesmo o meu espaço.



Felipe, Martinha, eu

Fomos lá à Festa Erasmus, acabámos por ir só a uma que era num bar melhor, segundo consta. Aquilo era pequenino então estavamos todos na rua. Parecia um Bairro Alto confinado a uma esquina, mas o espírito era o mesmo. Adoptei a atitude Inês-Ferrão-no-Bairro, e conheci imensa gente. Falei portunhol, espanhiliano, inglês, português e uma misturada de tudo isto. A quantidade de brasileiros era enorme e de portugueses maior ainda, por isso tinha de fugir muitas vezes, já que não vim para aqui para estar nem falar com portugueses. Aqui é fácil começar conversa, porque um "Ciao!" é sempre bem recebido e alegre.

Entretanto, entre conversas, temos um jantar de anos hoje, de um português, por acaso. E amanhã outro em casa de uns brasileiros e espanhóis. Convidadas assim de repente. Bem-vinda a Erasmus, é o que pode ser dito.


André, ?, Izabella, eu

Jojo, eu

Martinha, Gabriel, Jojo, eu, Tomy

Hoje é o dia mais quente de sempre: 34ºC ! Está mesmo calor.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

a esperança é a última a morrer

Continuo a perder-me constantemente por Bologna, especialmente porque hoje andei sozinha. Queria ir de uma ponta à outra, sem ser pelo caminho principal - porque esse eu já sei bem -, e acabei no ponto de partida passados 45minutos. Ou seja, andei aos círculos ! Já ao fim da tarde, a voltar do Centro de Línguas, voltei a perder-me. A solução foi o Nuno ao telefone a dizer-me para seguir o Sol, que estava na direcção da minha casa.

Nesta busca incansável, descobri uma espécie de centro comercial, só com marcas caríssimas, tipo Gucci, Louis Vuitton, Tiffany's, etc, mesmo perto da Piazza Maggiore.

A minha Bologna tem uma zona que é conhecida como a Venezia daqui. Tem um canal escondido na cidade, que duma rua só se vê através de uma janelinha, que muita gente não sabe que existe. Eu já sei:)


Hoje vou a duas festas Erasmus, uh-ho! São 2 Welcome Parties, tem de ser. E dará para conhecer mais gente e os sítios a evitar, como eles cá em casa dizem, já que são sempre em bares horrendos.

O Felipe é o brasileiro que está na primeira foto comigo e farto-me de ter ataques de riso com ele a falar, porque fala um português com imensa piada e com expressões mesmo giras. Passamos a vida a comparar as línguas. Na outra noite chegou-se ao nosso quarto e virou-se num português sem sotaque: "Boa noite pessoal, durmam bem nos saco-cama", porque eles dizem saco de dormir, e foi motivo de conversa umas horas antes. Teve graça, pronto.


eu, Felipe

Rina, Andrea

P.S.: Surgiu uma óptima oportunidade para uma casa. Só 2ª feira é que dá para ir visitar, mas soa a perfeito. Torçam por mim! (nem que seja para poderem vir cá visitar-me e terem mais que 1 m2 para dormir!)